Césio-137: Projeto pretende criar feriado para homenagear vítimas do acidente, em Goiânia
Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico do país,...
Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico Quase quatro décadas após o maior acidente radiológico do país, Goiânia pode passar a ter um feriado dedicado à memória das vítimas do Césio-137. O projeto foi apresentado na última quarta-feira (8) pelos vereadores Igor Franco (Podemos) e Luan Alves (MDB). A proposta cria o “Dia em Memória das Vítimas do Césio-137”, a ser celebrado em 13 de setembro, data que marca o início da contaminação, em 1987. O projeto foi protocolado neste mês e ainda precisa passar por análise e votação na Câmara Municipal. Se aprovado, o feriado será incluído no calendário oficial da cidade e poderá contar com atividades institucionais voltadas à preservação da memória do desastre e à conscientização da população. A iniciativa retoma um dos episódios mais marcantes da história da capital, quando a manipulação indevida de uma cápsula com material radioativo espalhou contaminação e afetou centenas de pessoas, com impactos que permanecem até hoje. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Pessoas com roupas de proteção são conduzidas durante operação de isolamento após contaminação pelo Césio 137, em Goiânia, em 1987 Acervo/O Popular LEIA TAMBÉM: Césio-137: maior acidente radiológico da história deixou 4 mortos, 6 mil toneladas de lixo e ainda terá impacto por mais 200 anos Quem encontrou o Césio-137, em Goiânia? Césio-137: veja fotos e vídeos da época do acidente Profissional monitora nível de radiação entre barris com materiais expostos ao césio-137, em Goiás Acervo/O Popular O que prevê o projeto O projeto estabelece que o feriado terá caráter cívico e memorial e será observado anualmente. Na data, ficam suspensas as atividades da administração pública municipal, com exceção dos serviços essenciais, como saúde, segurança, transporte coletivo e limpeza urbana. Além da interrupção das atividades administrativas, a proposta prevê a realização de atos públicos, eventos institucionais, campanhas educativas e atividades em escolas da rede municipal. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre o acidente, suas consequências e os riscos relacionados à exposição a materiais radioativos. O texto também inclui ações de conscientização sobre segurança radiológica e o manejo adequado de substâncias perigosas. A intenção é levar informações à população e evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. Outro ponto previsto é o reconhecimento dos profissionais que atuaram na contenção do acidente, como servidores da saúde, da segurança pública e voluntários que participaram das ações emergenciais na época. Cápsula com material radioativo do Césio-137 é registrada em ferro-velho onde foi aberta e manipulada, dando início à contaminação em Goiânia Acervo/O Popular Por que 13 de setembro Na justificativa, os vereadores destacam que a escolha da data está diretamente ligada ao início do acidente. Foi em 13 de setembro de 1987 que a cápsula com cloreto de césio foi retirada do antigo Instituto Goiano de Radioterapia e levada a um ferro-velho, o que desencadeou o processo de contaminação. A partir desse momento, o material radioativo passou a ser manipulado sem qualquer controle, o que levou à exposição de diversas pessoas e à disseminação da substância em diferentes pontos da cidade. Segundo o texto, transformar a data em feriado representa um reconhecimento simbólico da gravidade do episódio e reforça a necessidade de manter viva a memória das vítimas. Os autores também apontam que a criação da data contribui para consolidar o acidente como parte da história oficial de Goiânia, com espaço permanente no calendário e nas políticas públicas de memória. Justificativa e impactos O projeto ressalta que o acidente com o Césio-137 é considerado um dos mais graves do mundo fora de usinas nucleares e teve repercussão internacional. A justificativa aponta que, mesmo após quase 40 anos, os impactos do desastre ainda atingem vítimas e familiares, tanto no aspecto físico quanto psicológico. O texto também menciona consequências sociais, como o estigma enfrentado por pessoas contaminadas ou relacionadas ao episódio. Para os autores, a criação do feriado cumpre uma função educativa e preventiva. A proposta defende que a memória do acidente deve servir como alerta permanente sobre os riscos do manuseio inadequado de materiais radioativos e sobre a importância de políticas públicas voltadas à segurança e à informação. O projeto ainda destaca que iniciativas desse tipo ajudam a valorizar a história local e a reconhecer o sofrimento das vítimas, ao mesmo tempo em que incentivam o debate público sobre responsabilidade, prevenção e cuidado coletivo. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás